De repente, informações, que eu não busquei por iniciativa própria, estão aparecendo para confirmar o que anda na minha cabeça. Achei em Virtual Canuck, um comentário e um link sobre um estudo recente um modelo de implementação de blogs na educação formal: An empirically grounded framework to guide blogging in higher education .
O estudo, feito por Kerawalla, L., Minocha, S., Kirkup, G., & Conole, G. é bastante interessante e vem confirmar que é vã minha esperança de utilizar blogs informalmente para promover leitura crítica em pessoas sem acesso à educação formal. O artigo em questão descreve um modelo de implementação do uso de blogs em um curso de mestrado. Embora os alunos pesquisados certamente tenham tido acesso à educação básica de qualidade, ainda há vários fatores para serem considerados para que os objetivos pedagógicos sejam alcançados, mostrando que o simples fato de ‘blogar’ não conduz automaticamente ao alcance das metas pedagógicas.
Chamou minha atenção uma citação a um outro autor, Burgess (p. 2), que diz que para ‘blogar’ de maneira eficiente, estudantes precisam desenvolver suas habilidades de pensar e atuar criticamente e criativamente além de formar comunidades e redes de comunicação e colaboração. Isto confirma diretamente o que comentei em meu post anterior: certo nível de pensamento crítico precede e não resulta do ato de ‘blogar’ criticamente.
sábado, 9 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Acabei de ler um post muito interessante em E-AKO desafiando alguns lugares-comuns sobre m-learning. Nichtus, o autor, mais uma vez expressou suas ideias sobre educação formal e seus propósitos. Infelizmente, tive que concordar com algo que li. Especificamente, ele disse que é simplesmente boba a ideia de que estudantes possam desenvolver habilidades mais complexas como a análise crítica de informações, sem já possuírem uma boa dose dessas mesmas habilidades.
Se isso for verdade—e, infelizmente suspeito que sim—o cenário que vislumbramos é horrível considerando que muitíssimo poucas pessoas têm acesso a educação formal de boa qualidade no Brasil. Isso significa que a grande maioria das crianças e jovens do Brasil está fadada à incapacidade de pensar criticamente a ponto de realmente poder alterar a atual situação política/educacional? Mais especificamente, será que o uso de tecnologias usadas para a educação informal não seria uma opção barata e eficaz para começar a compensar pela educação formal à que tantos não têm acesso? Seria uma perda de tempo (e dinheiro)?
Como educadora, eu gostaria muito de acreditar que essas tecnologias pudessem ter um papel significativo na mudança desse cenário. Mas, talvez este seja apenas meu lado utópico falando... Será que eu vou ter que me tornar mais cética ainda? Quem vai me aguentar? ;)
Se isso for verdade—e, infelizmente suspeito que sim—o cenário que vislumbramos é horrível considerando que muitíssimo poucas pessoas têm acesso a educação formal de boa qualidade no Brasil. Isso significa que a grande maioria das crianças e jovens do Brasil está fadada à incapacidade de pensar criticamente a ponto de realmente poder alterar a atual situação política/educacional? Mais especificamente, será que o uso de tecnologias usadas para a educação informal não seria uma opção barata e eficaz para começar a compensar pela educação formal à que tantos não têm acesso? Seria uma perda de tempo (e dinheiro)?
Como educadora, eu gostaria muito de acreditar que essas tecnologias pudessem ter um papel significativo na mudança desse cenário. Mas, talvez este seja apenas meu lado utópico falando... Será que eu vou ter que me tornar mais cética ainda? Quem vai me aguentar? ;)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
É o poder da pressão profissional. Ontem, finalmente (tardiamente?) eu me rendi e abri minha conta no Second Life. Será que eu conseguirei tomar pé do que tem sido feito lá em termos de educação? OK. Estou querendo demais; vou mais modestamente... Será que aquele mundo fará sentido pra mim? Sobreviverei? Será que finalmente vou superar meu constrangimento de ser totalmente ignorante sobre SL? Será que vou apenas perder tempo quando há TANTO o que ler e aprender na minha 'first life'? Às vezes eu me sinto tão irremediavelmente velha e antiquada :( Mas estou disposta a dar este salto no escuro mesmo que tenha que pagar muito mico. Não será o primeiro.
Se alguém puder ajudar sugerindo tutoriais básicos, web sites para iniciantes (especialmente ligados a educação), dicas, etc., serei eternamente grata.
Se alguém puder ajudar sugerindo tutoriais básicos, web sites para iniciantes (especialmente ligados a educação), dicas, etc., serei eternamente grata.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Autonomia para o cidadão > “media literacy” (ainda não sei como dizer em Português) > leitura crítica
Um dos meus temas favoritos quando discuto sobre a promoção do desenvolvimento e autonomia para o cidadão é o da necessidade de saber ler criticamente. Para mim, poucas coisas são tão cruciais para a tão desejada autonomia quanto a tal “media literacy”, e, poder ler criticamente certamente está aí incluído.
Minha hipótese é que o “blogar” – um tipo de elearning informal – pode promover o desenvolvimento desta habilidade. E, se isto for verdade, por que não estimular este hábito entre estudantes, profissionais e cidadãos em geral?
Aqui estão algumas de minhas suposições, ainda não testadas:
- O ato de “blogar” é um tipo de elearning informal, ou seja, elearning não vinculado a estruturas formais de ensino-aprendizado, como universidades, escolas, ou cursos de qualquer sorte.
- Ler blogs promove a leitura crítica.
- Ler blogs que trazem pontos de vista diferentes daqueles do leitor é mais eficaz na promoção de leitura crítica.
- Dialogar através de comentários em blogs é ainda mais eficaz do que apenas lê-los.
Qual é sua opinião sobre minhas suposições? Alguém já encontrou algo na literatura que as comprove ou negue?
Um dos meus temas favoritos quando discuto sobre a promoção do desenvolvimento e autonomia para o cidadão é o da necessidade de saber ler criticamente. Para mim, poucas coisas são tão cruciais para a tão desejada autonomia quanto a tal “media literacy”, e, poder ler criticamente certamente está aí incluído.
Minha hipótese é que o “blogar” – um tipo de elearning informal – pode promover o desenvolvimento desta habilidade. E, se isto for verdade, por que não estimular este hábito entre estudantes, profissionais e cidadãos em geral?
Aqui estão algumas de minhas suposições, ainda não testadas:
- O ato de “blogar” é um tipo de elearning informal, ou seja, elearning não vinculado a estruturas formais de ensino-aprendizado, como universidades, escolas, ou cursos de qualquer sorte.
- Ler blogs promove a leitura crítica.
- Ler blogs que trazem pontos de vista diferentes daqueles do leitor é mais eficaz na promoção de leitura crítica.
- Dialogar através de comentários em blogs é ainda mais eficaz do que apenas lê-los.
Qual é sua opinião sobre minhas suposições? Alguém já encontrou algo na literatura que as comprove ou negue?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Tenho lido um pouco sobre ‘(digital) media literacy’ – tradução para o português será muito bem-vinda – e seu impacto sobre a formação de uma sociedade participativa. Interessa-me particularmente investigar o papel que a educação (incluíndo o e-learning) deve desempenhar nesse processo. Alguns dizem que os jovens se tornarão naturalmente “digitalmente alfabetizados” à medida em que interajam com a cultura digital. Outros, no entanto, afirmam que intervenções pedagógicas são necessárias para que o acesso a oportunidades de expressão através de novas mídias seja facilitado para todos, para que haja um claro entendimento sobre como as mídias formam nossas percepções e para que ocorra uma verdadeira preparação que torne os jovens prontos para atuar como criadores de mídias, e não apenas meros consumidores delas.
Tendo a concordar com esses últimos. Recentemente, fiz uma investigação informal através de uma entrevista com jovens de 15 a 19 anos sobre seus hábitos de uso da Internet. Entre outras coisas, descobri sem nenhuma surpresa, que apesar de terem acesso fácil a Internet, a grande maioria deles passa 100% do seu tempo online envolvidos em uma ou todas dessas 3 atividades: email/IM, chat e sites de relacionamento. Estou falando de jovens da classe média-alta, alunos de escolas particulares, cujos pais, em sua maioria, concluíram um curso universitário.
Não estou dizendo aqui que essas atividades não contribuem para o desenvolvimento de (algumas) habilidades necessárias a essa “alfabetização digital”, mas fico aqui imaginando quanto de pensamento crítico, reflexivo e criativo é necessário para atualizar um perfil no Orkut ou pra descobrir sobre o último “ficante” da melhor amiga. Não quero também parecer antiquada, até porque acho que os jovens devem sim se envolver nessas atividades (embora com menos intensidade). O que eu estou questionando aqui, como disse acima, e o que verdadeiramente me interessa é o papel da educação no processo de desenvolvimento de habilidades necessárias ao jovem ‘media literate’. Como, aparentemente, a maioria dessas habilidades não são necessárias nas atividades online em que os jovens se envolvem, como pode o e-learning ajudar a transformar o futuro deles para que se tornem cidadãos críticos, criativos e participativos? Esta não é uma pergunta retórica; gostaria muito da opinião de outras pessoas.
Tendo a concordar com esses últimos. Recentemente, fiz uma investigação informal através de uma entrevista com jovens de 15 a 19 anos sobre seus hábitos de uso da Internet. Entre outras coisas, descobri sem nenhuma surpresa, que apesar de terem acesso fácil a Internet, a grande maioria deles passa 100% do seu tempo online envolvidos em uma ou todas dessas 3 atividades: email/IM, chat e sites de relacionamento. Estou falando de jovens da classe média-alta, alunos de escolas particulares, cujos pais, em sua maioria, concluíram um curso universitário.
Não estou dizendo aqui que essas atividades não contribuem para o desenvolvimento de (algumas) habilidades necessárias a essa “alfabetização digital”, mas fico aqui imaginando quanto de pensamento crítico, reflexivo e criativo é necessário para atualizar um perfil no Orkut ou pra descobrir sobre o último “ficante” da melhor amiga. Não quero também parecer antiquada, até porque acho que os jovens devem sim se envolver nessas atividades (embora com menos intensidade). O que eu estou questionando aqui, como disse acima, e o que verdadeiramente me interessa é o papel da educação no processo de desenvolvimento de habilidades necessárias ao jovem ‘media literate’. Como, aparentemente, a maioria dessas habilidades não são necessárias nas atividades online em que os jovens se envolvem, como pode o e-learning ajudar a transformar o futuro deles para que se tornem cidadãos críticos, criativos e participativos? Esta não é uma pergunta retórica; gostaria muito da opinião de outras pessoas.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Já que estamos tão perto das eleições municipais, achei por bem fazer um flashback de algo que publiquei aqui há um tempinho. Não sem antes porém manifestar a minha total insatisfação com o fato de ter que escolher entre os que se apresentam como candidatos aqui (só aqui?) em Salvador aquele que é menos safado, menos incompetente, menos rasteiro em suas intenções... Desde as últimas eleições, decidi que não faria mais isto. Cansei de tentar adivinhar quem é o menos pior; não vou votar em ninguém e, só volto a votar quando o sistema político exigir e sistematizar uma maneira de cobrar algo que nossos políticos não conhecem: a idéia de ‘accountability’ .
Infelizmente, até onde eu sei, não existe este termo em português. Basicamente, significa o estado de ser cobrado e ter que responder por atos cometidos. Alguém virá me dizer que esta cobrança se dá nas eleições seguintes; é só não votar naqueles que não cumpriram com o prometido. Balela. De maneira geral, quem se elege ocupa espaços vitais de manipulação (financeira, econômica, marketológica, etc.) que faz seus tentáculos se estender a perder de vista. Com isto, acumulam dinheiro, informações e almas para as próximas eleições, que certamente estarão garantidas, independentemente do que fizeram de bom ou de ruim. É assim que funciona o sistema e, nas discussões sobre reforma política, ainda não vi nada que ameace esse esquemão. Eu já sei que muitos vão achar que se abster de participar é contribuir para o status quo. Discordo. Cada vez mais estou convencida que a nossa participação só legitima o processo. Quando o número de pessoas que se recusam a compactuar com o processo for significativo, talvez, consigamos alguma mudança de fato.
Bem, mas o tópico é polêmico e eu disse que faria um flashback. Vou postar aqui, mais uma vez, uma artigo lindo sobre como cidades podem ser pensadas e geridas de maneira eficiente e inovadora. O artigo é em inglês e se chama Remixing Cities. Talvez sirva como inspiração.
Infelizmente, até onde eu sei, não existe este termo em português. Basicamente, significa o estado de ser cobrado e ter que responder por atos cometidos. Alguém virá me dizer que esta cobrança se dá nas eleições seguintes; é só não votar naqueles que não cumpriram com o prometido. Balela. De maneira geral, quem se elege ocupa espaços vitais de manipulação (financeira, econômica, marketológica, etc.) que faz seus tentáculos se estender a perder de vista. Com isto, acumulam dinheiro, informações e almas para as próximas eleições, que certamente estarão garantidas, independentemente do que fizeram de bom ou de ruim. É assim que funciona o sistema e, nas discussões sobre reforma política, ainda não vi nada que ameace esse esquemão. Eu já sei que muitos vão achar que se abster de participar é contribuir para o status quo. Discordo. Cada vez mais estou convencida que a nossa participação só legitima o processo. Quando o número de pessoas que se recusam a compactuar com o processo for significativo, talvez, consigamos alguma mudança de fato.
Bem, mas o tópico é polêmico e eu disse que faria um flashback. Vou postar aqui, mais uma vez, uma artigo lindo sobre como cidades podem ser pensadas e geridas de maneira eficiente e inovadora. O artigo é em inglês e se chama Remixing Cities. Talvez sirva como inspiração.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Acabei de ler sobre a conferência inaugural do Information Overload Research Group (IORG) que aconteceu no dia 15 de julho de 2008. É interessante observar quem são algumas das pessoas interessadas nesse tópico. Nesta conferência em particular: David Goldes, presidente da Basex , Max Christoff da Morgan Stanley, Shari Pfleeger Lawrence da Rand Corporation, e Nathan Zeldes da Intel. Todos discutindo sobre os problemas relacionados ao excesso de informações que suas corporações têm enfrentado. Chegou a um ponto em que seus negócios estão perdendo dinheiro de verdade: o custo de interrupções desnecessárias mais o tempo de recuperação (tempo gasto para voltar ao ponto em que estava antes de ser interrompido, se de fato você volta a ele) para a economia dos Estados Unidos foi de $650 bilhões de dólares desde 2007. Isto significa 28% do dia trabalho de um “knowledge worker” (como é que traduz isto?) enquanto que meros 12% deste dia de trabalho é gasto em pensamentos e reflexão.
No seu post no blog do IORG’s, Jonathan Spira, Analista Chefe da Basex e Vice Presidente do IORG, comenta sobre um paradoxo descrito por David Levy, um dos palestrantes da conferência:
--ao mesmo tempo em que criamos novas ferramentas por o conhecimento e para a colaboração (e nossa economia está se tornando mais baseada em conhecimento), nós estamos perdendo o tempo de que precisamos para pensar.--
Como um meio para superar este dilema, Levy sugere que adotemos mais práticas contemplativas nos meios profissional e acadêmico. De fato, está aí um grande desafio para os dias de hoje, mas, é uma delícia descobrir que, afinal das contas, Caymmi tinha razão. Eu, como baiana “adotada”, cansada de piadas com estereótipos, estou aqui falando mais do que sério. Por mais que a sugestão de Levy pareça deslocada no mundo atual, estou tentando me comprometer a adotar como hábito, este exercício diário de contemplação e reflexão. Mesmo que isto signifique uma redução na quantidade informações novas que chegam a mim. Ou talvez, exatamente por isto.
No seu post no blog do IORG’s, Jonathan Spira, Analista Chefe da Basex e Vice Presidente do IORG, comenta sobre um paradoxo descrito por David Levy, um dos palestrantes da conferência:
--ao mesmo tempo em que criamos novas ferramentas por o conhecimento e para a colaboração (e nossa economia está se tornando mais baseada em conhecimento), nós estamos perdendo o tempo de que precisamos para pensar.--
Como um meio para superar este dilema, Levy sugere que adotemos mais práticas contemplativas nos meios profissional e acadêmico. De fato, está aí um grande desafio para os dias de hoje, mas, é uma delícia descobrir que, afinal das contas, Caymmi tinha razão. Eu, como baiana “adotada”, cansada de piadas com estereótipos, estou aqui falando mais do que sério. Por mais que a sugestão de Levy pareça deslocada no mundo atual, estou tentando me comprometer a adotar como hábito, este exercício diário de contemplação e reflexão. Mesmo que isto signifique uma redução na quantidade informações novas que chegam a mim. Ou talvez, exatamente por isto.
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